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Trigo no perfilhamento: 7 decisões que definem quantos colmos viram espiga

Trigo no perfilhamento: 7 decisões que definem quantos colmos viram espiga Trigo no perfilhamento: 7 decisões que definem quantos colmos viram espiga
Trigo no perfilhamento: 7 decisões que definem quantos colmos viram espiga

O perfilhamento é uma das fases mais “decisivas” do trigo. É aqui que a lavoura começa a transformar potencial em realidade: a planta emite colmos laterais (perfilhos), mas nem todo colmo vira espiga. Parte desses perfilhos aborta por falta de luz, nitrogênio, água, sanidade ou por limitações de solo. E é exatamente por isso que o perfilhamento é tão estratégico: você ainda tem margem de manobra para aumentar a sobrevivência de perfilhos e, consequentemente, aumentar o número de espigas por metro quadrado, que é um dos componentes mais importantes da produtividade.

Na prática, muita lavoura perde rendimento “sem barulho” nessa fase: o produtor acha que está tudo bem porque o trigo está verde, mas a planta está, silenciosamente, cortando perfilhos para se adaptar ao estresse. Quando chega no espigamento, a conta aparece: poucas espigas/m², espigas menores, menor número de grãos por área e, muitas vezes, mais desuniformidade.

A proposta deste guia é simples e direta: 7 decisões que você toma no perfilhamento e que definem quantos colmos viram espiga — com explicação técnica, mas em linguagem de campo.

Antes das 7 decisões: entenda o “jogo” do perfilhamento

O trigo é uma gramínea com capacidade de compensação. Isso significa que ele tenta ajustar seus componentes de rendimento conforme o ambiente:

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  • Baixo estande: tende a perfilhar mais para compensar.
  • Alto estande: tende a perfilhar menos e competir mais cedo por luz e N.
  • Com estresse: (seca, frio forte, encharcamento, falta de N, doença, competição) a planta aborta perfilhos e prioriza a sobrevivência do colmo principal.

A pergunta correta não é “quantos perfilhos a planta emitiu”, e sim: quantos perfilhos vão sobreviver e emitir espiga viável? E isso depende de manejo.

Um jeito fácil de pensar:

  • Perfilho que nasce e morre: custo sem retorno.
  • Perfilho que nasce, sobrevive e espiga: ganho de espiga por m².
  • Perfilho que sobrevive mas vira espiga fraca: pode aumentar espigas/m², mas nem sempre aumenta produção.

Então, o objetivo é buscar perfilhamento produtivo, não só “volume de perfilhos”.

1) Decidir a meta de estande e de espigas por m² (e medir cedo, de verdade)

A primeira decisão é a mais subestimada: medir e definir meta. Sem isso, você está manejando no “achismo”.

O que medir no campo

  • Plantas por m² (estande real)
  • Perfilhos por planta
  • Perfilhos por m² (o mais importante para enxergar potencial de espigas/m²)

Como medir rápido (método prático)

  • Quadro de 0,25 m²: 50×50 cm.
  • Amostragem: conte plantas e perfilhos em 4 pontos representativos (evite só a beira).
  • Cálculo: faça a média e multiplique por 4 para chegar em por m².

Se você não tem quadro, dá para improvisar com barbante e estaca, mas o quadro facilita muito.

Por que isso muda sua adubação e manejo?

Porque um trigo com estande baixo exige estratégia diferente de um trigo com estande alto:

  • Estande baixo: incentivar perfilhamento cedo e garantir sobrevivência (N + água + luz + sanidade).
  • Estande alto: evitar excesso de competição, risco de acamamento e doença (fracionar N, ajustar fungicida, monitorar dossel).

Dica de ouro: faça a contagem no início do perfilhamento e repita 7 a 10 dias depois, principalmente se houve mudança brusca de clima (frio, seca ou excesso de chuva). O perfilhamento responde rápido ao ambiente.

2) Nitrogênio no timing certo: a hora do N vale tanto quanto a dose

No perfilhamento, o nitrogênio é o principal “botão” para influenciar emissão e sobrevivência de perfilhos, área foliar, vigor e potencial de espigas/m².

Só que a resposta do trigo ao N depende de quando você aplica, se há umidade/chuva para incorporar e quanto a planta já tem de N disponível (solo, adubação base e mineralização).

O erro mais comum

Aplicar N “tarde demais” esperando ver a lavoura “pedir”. Quando a lavoura “pede”, você já perdeu parte da sobrevivência de perfilhos. O N tardio pode ajudar em crescimento e, em parte, em grãos/espiga, mas não recupera totalmente espigas/m² que já não existem mais.

Estratégia prática de decisão

  • Estande baixo: antecipe uma parte do N para estimular perfilhamento.
  • Lavoura muito densa: fracionar mais e evitar excesso cedo pode reduzir risco de doença e acamamento.

Atenção à eficiência (N + clima)

  • Ureia com solo seco e sem chuva: risco de volatilização e perda.
  • Chuva leve a moderada em 24–72h: melhora a eficiência.
  • Frio intenso: a planta pode segurar crescimento, mas o N precisa estar disponível na retomada.

N não é só para “verde”. Às vezes a lavoura está verde, mas não está sustentando taxa de perfilhamento. Por isso medir perfilhos/m² é tão importante.

3) Enxofre junto do N: sem S, o N não vira proteína nem colmo forte

O enxofre é parceiro do nitrogênio. Sem S adequado, o trigo pode absorver N, mas tem mais dificuldade para transformar isso em produção de matéria seca e proteínas. No perfilhamento, isso influencia vigor e sobrevivência de perfilhos.

Onde o S costuma faltar mais

  • Solos arenosos ou baixa matéria orgânica
  • Áreas lixiviadas
  • Histórico de pouca reposição
  • Uso recorrente de fontes sem S

Decisão prática

Se você está investindo em N, mas não ajusta S, a resposta pode ser menor. Muitas vezes, pequenos ajustes em S deixam o N “trabalhar” melhor.

4) Água e solo: perfilho não sobrevive com raiz sofrendo

Perfilhamento é sensível ao ambiente radicular. A planta sustenta mais colmos quando a raiz explora bem o solo, há oxigênio suficiente e a água está disponível sem extremos.

Principais vilões

  • Compactação: raiz superficial e limitada, maior estresse em seca e calor, lavoura manchada.
  • Encharcamento em baixadas: falta oxigênio, raiz sofre, perfilhos abortam e aumenta risco de doença.
  • Seca + vento: a planta aborta perfilhos e mantém o colmo principal.

No perfilhamento, caminhe a lavoura e identifique manchas, cabeceiras e baixadas. Se o problema é físico/água, só adubo e fungicida não resolvem.

5) Plantas daninhas: competição cedo rouba o N e a luz que virariam espiga

Competição com daninhas no perfilhamento reduz luz, consome N e água, altera microclima e pode aumentar doença. Além disso, dificulta a uniformidade de aplicações.

O ponto mais importante

O problema não é apenas “qual daninha”, e sim o estágio. Daninha jovem é uma história; daninha passada é outra. Quando passa do ponto, o controle fica mais caro, o risco de fitotoxicidade aumenta e o dano em espigas/m² já aconteceu.

O objetivo é deixar o trigo como “dono” do ambiente: controle no timing correto e evitar misturas agressivas em condições de estresse.

6) Sanidade e área foliar: sem folha ativa, não tem energia para manter perfilhos

Perfilhos sobrevivem quando a planta tem “saldo energético”. Isso depende de folhas saudáveis, fotossíntese eficiente e baixa perda por doença. Lavouras densas e bem nitrogenadas fecham o dossel cedo, retêm mais umidade e podem favorecer doenças.

A condução bem feita é baseada em histórico da área, suscetibilidade da cultivar, monitoramento e clima. E aplicação mal feita também vira estresse: dose alta, horário quente, mistura incompatível, adjuvante agressivo, deriva e cobertura ruim.

7) Micronutrientes, reguladores e “atalhos”: o que ajuda de verdade

Micronutrientes

Micronutrientes podem ajudar quando há limitação real, melhorando metabolismo, vigor e eficiência do N. Mas não substituem N no timing certo, S adequado, solo/água sem limitação, controle de daninhas e sanidade foliar.

Regulador de crescimento

Regulador é ferramenta para alto potencial com risco de acamamento, excesso de N, cultivares suscetíveis e dossel muito fechado. Ele ajuda mais na arquitetura e estabilidade do que em aumentar perfilhos diretamente.

Como transformar as 7 decisões em um plano de campo (passo a passo)

Passo 1 — Diagnóstico inicial

  • Contagem: plantas/m² e perfilhos/m² em 4 pontos.
  • Classificação: ralo, ok ou muito denso.
  • Observação: manchas, baixadas e cabeceiras.

Passo 2 — Nutrição e clima

  • Chuva em 24–72h: janela boa para N.
  • Sem chuva: avalie fracionamento e risco de perda.

Passo 3 — N + S

  • Integração: se usar N, garanta S equilibrado para eficiência.

Passo 4 — Daninhas

  • Competição: identificar se está no ponto de controle fácil ou já passou.

Passo 5 — Sanidade

  • Clima e dossel: avaliar risco pela umidade e fechamento.
  • Cultivar e histórico: ajustar decisão conforme sensibilidade.

Passo 6 — Estresse e solo

  • Manchas: buscar causa (solo/água/compactação) e registrar para correção pós-colheita.

Passo 7 — Recontagem

  • 7 a 10 dias: contar novamente perfilhos/m² e comparar evolução.

Sinais de alerta no perfilhamento

  • Perfilhos somem: baixa sobrevivência em 7–10 dias.
  • Lavoura manchada: solo/água/compactação.
  • Trigo verde mas parado: N indisponível no timing ou raiz limitada.
  • Daninha acima do trigo: competição já está roubando espigas.
  • Dossel fechando cedo: risco de doença e acamamento aumenta.

Fechamento: o que mais aumenta “colmo virando espiga”?

Quatro princípios que mais funcionam:

  • Medir: plantas e perfilhos/m² para manejar com números.
  • N no timing certo: com S equilibrado para eficiência.
  • Sem competição: daninhas controladas no período de definição de perfilhos.
  • Sem estresse: solo, água e sanidade ajustados para manter folha ativa e perfilho vivo.

O perfilhamento é onde a lavoura “faz a base”. Se você conduz bem aqui, o restante do ciclo vira ajuste fino — e não tentativa de salvar.

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